domingo, 11 de janeiro de 2009

O menino de sua mãe






No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- duas, de lado a lado, -
Jaz morto e arrefece.



Raia-lhe a farda o sangue
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.



Tão jovem! Que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».



Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.



De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
Brancura embainhada
De um lenço… Deu-lhe a criada
Velha que o trouxe ao colo.



Lá longe, em casa, há a prece:
“Que volte cedo, e bem!”
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino de sua mãe.



Poesias, Fernando Pessoa


Este poema decorei-o aos 11 anos em Moçambique! Na foto acima ....alguns são os meninos de sua mãe ... pelo menos 2 ficaram na guerra em Angola ....... malhas que o império tece!

3 comentários:

Smootha disse...

Gostei, Larose.
Assim me fazes lembrar dos serões a falar-me de África :)
Beijoca e (quero mais!) :)

Sininho disse...

Também sei alguns poemas de cor..que decorei quando era mais miúda...beijinhos

superior disse...

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